Ainda que as teses, as dissertações e os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) tenham  estruturas padronizadas, sempre tem alguma forma de você inovar.
Vários Programas de Pós-Graduação permitem a entrega em formato de artigos.

Eu já havia visto alguns modelos. Entretanto, gostei bastante do modelo proposta pelo Programa de Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (nota 7 na avaliação da Capes), selecionei a tese de Bruno Pereira Nunes, como exemplo de organização em formato de artigos, diferente da tradicional.
Na minha opinião, este tipo de modelo é muito mais atrativa para a leitura do que o modelo tradicional, bem como a possibilidade de disseminação é maior. Apresenta com clareza a visão geral da pesquisa, o fluxo do trabalho e facilita a comunicação da informação científica. Está organizada da seguinte forma:

  1. Projeto de pesquisa
  2. Alterações do projeto original
  3. Relatório de campo e outras atividades
  4. Artigos
  5. Comunicado a imprensa

Eu sugiro a inclusão do plano de impacto da pesquisa  e um plano de comunicação e divulgação científica. (Posts em breve).

Bruno ainda concedeu entrevista sobre a elaboração da tese.

Juliana:  – O Programa de pós-graduação da universidade que você cursou aderiu ao novo formato de organização de tese e dissertações, como foi o planejamento da sua pesquisa para este modelo?

Bruno: – O programa de pós-graduação que cursei, tanto no mestrado como no doutorado, adota a elaboração de, pelo menos, um artigo (para dissertações) e três artigos (para teses) como um dos requisitos para obtenção dos títulos de mestre e doutor. Apesar de nunca ter vivenciado a elaboração de um trabalho de pós-graduação em outro formato, creio que esta proposta contribui para a elaboração dos objetivos específicos da pesquisa pois induz, ainda mais, o aluno e o orientador a refletir sobre as perguntas cientificas a serem respondidas com a dissertação/tese. Claro, aqui devemos levar em conta o contexto especifico de cada área/subárea do conhecimento. Para mim, este formato é bem adequado à linha de pesquisa que cursei minha pós-graduação (epidemiologia) porém não acredito que este formato deva ser visto como uma solução para todas as dissertações e teses.

Juliana: – Esta forma de organizar a tese possibilita a visão geral da pesquisa para o leitor e para o autor como você trabalhou para alcançar este resultado?

Bruno:
– Esta é mais uma das vantagens, ao meu ver, deste formato pois contribui para uma leitura mais objetiva sem desconsiderar a fundamentação teórica do objeto de estudo. Ainda, neste formato, o processo para a divulgação científica em revistas e livros é facilitado. Todo o trabalho científico deve ser disseminado e este formato pode contribuir para uma disseminação mais ágil do conhecimento. Creio que o trabalho para alcançar este resultado é semelhante a produção de dissertações e teses em outros formatos sendo diferente a forma de apresentação e disseminação dos resultados o que exige um conhecimento sobre as principais formas de comunicação científica da temática sob investigação.

Juliana: – O que você recomenda para um estudante de pós graduação ou  um orientador que deseja organizar a dissertação ou tese desta forma.

Bruno:
– Acredito que a principal recomendação é estudar/conhecer as principais formas de comunicação da área a ser estudada. As principais revistas, repositórios, meios de comunicação, grupos de pesquisa, entre outros que irão ser foco para divulgação dos resultados da dissertação ou tese. Isso não é algo muito demorado ou que tire o foco do trabalho. Pelo contrário, contribui para conhecer ainda mais a temática, os principais pesquisadores da área e encontrar trabalhos em outros formatos.

Para quem quer saber mais, leia o post de Lilian Nassi-Calò  no blog do SciELO  que abre o debate sobre Teses e dissertações: prós e contras dos formatos tradicional e alternativo.  Neste post, Lilian cita o editorial publicado na Nature  The past, present and future of the PhD thesis. 

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